dois coelhos

Esta é a nossa história, dois rapazes destinados um para o outro, que se conheceram quando um tinha 20 anos e o outro 26.
Desde esse dia que a nossa vida mudou para sempre! E vocês são as nossas únicas testemunhas!

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

México 3

Os dias seguintes, passados entre a praia (a água azul turquesa, linda, mas não tão quente como em Alicante), as enormes piscinas, os restaurantes, os spas, os vinte seis bares, as discotecas e as mesas de matraquilhos e snooker, passaram a correr. Quase todas as noites havia festas temáticas, e várias vezes fomos para a cama já um bocado alegres, mas ainda sóbrios o suficiente para dar uso ao jacuzzi no meio do quarto.

Foto daqui.


Foto do TripAdvisor




Um casal de guaxinins simpáticos

Iguanas por todo o lado, quase que corria o risco de pisar uma.








Um coelho ao sol, lol


Apesar de não se ver o pôr do sol, as cores eram fantásticas
Uma das piscinas, ligada ao mar, estava repleta de peixes tropicais coloridos. Para os atrairmos para as fotos usávamos pedacinhos de pão, o que surtia um efeito espetacular. Foi até eu enfiar um pedaço de pão dentro dos calções de banho do meu rapaz. Chegámos a temer o pior...

 
Foto do TripAdvisor


O Grand Palladium tem 14 restaurantes, cinco dos quais eram tipo buffet, enormes, de onde saíamos a rebolar. Os outros nove restaurantes eram a la carte, e nesses não se podia entrar de calções, pelo que por duas vezes tivémos de voltar ao quarto para trocar de roupa. 

No restaurante japonês Sumptuori, o show cooking era uma das principais atrações
O hotel era impecavelmente limpo por um batalhão de empregados simpáticos. A conversar com alguns, contaram que viviam do outro lado da estrada, em instalações pertencentes ao hotel. Ganhavam pouco mais do que o salário mínimo (à volta de 100€ por mês), por 6 dias de trabalho, mas frequentemente trabalhavam todos os dias, para que de dois em dois meses pudessem ir uma semana a casa.

Instalações dos funcionários do Palladium, daqui.

Porém, isto não foi o que mais me chocou. No último dia, por causa do voo de regresso, tivémos de almoçar logo assim que as portas dos restaurantes abriram. Foi a única vez que assisti à abertura dos restaurantes: os empregados faziam duas filas, de cada lado da porta, e ficavam a bater palmas enquanto os clientes entravam. Achei o espetáculo burguês deprimente. Que saudades de um hostel...

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Mexico 2

Depois de uma noite a fazer a mala e nos últimos preparativos para a viagem, saímos de casa por volta das 5h30. O avião partia às 7h, mas ainda teríamos de fazer o check-in da mala de porão. 

No aeroporto desta vez não houve confusões. As bagagens de mão não estavam a rebentar, e nem tivémos de recorrer ao estratagema para levar duas bagagens de mão, coisa que não é (supostamente) permitida na maioria das companhias low cost.

Entre a chegada a Madrid e a partida para Cancun havia um intervalo de 3h30, que foi suficiente para recolher a bagagem e mudar de terminal. Tínhamos levado um farnel, que comemos enquanto esperávamos pelo embarque no voo para Cancun.

Já tinha voado num Boeing 747 há uns anos atrás, mas é sempre uma excitação ver um avião de dois andares, enorme. Não é à toa que lhe chamam Jumbo. Porém, ao contrário dos outros em que viajei, pela KLM, desta vez a manutenção a bordo era um pouco descuidada: muitos dos monitores individuais não funcionavam, o som dos auscultadores era péssimo (e toda a programação era dobrada em espanhol), os assentos ainda tinham cinzeiros do tempo em que se fumava no lugar (1996). Tivémos a sorte de conseguir lugares à janela, mas de directa, claro que dormimos durante todo o voo, só acordando para as refeições.

Pouco mais de 10h depois estávamos a chegar a Cancun. Depois de recolher a mala, o grupo foi dividido por autocarros de acordo com os hotéis para onde iam. Havia alguns portugueses, maioritariamente com sotaque do Porto, mas nenhum para o nosso hotel. A temperatura estava óptima, apesar da humidade elevada.
Cancun vista do ar...

Cerca de 1h30 depois (uns 90km) chegámos ao resort. Durante a viagem uma representante da agência foi dando algumas informações, mas marcou um encontro para o dia seguinte no hotel para explicar como funcionava o seguro de viagem.

O complexo do Grand Palladium está dividido em 4 áreas, como se fossem quatro hotéis distintos. Porém, os hóspedes podem utilizar os recursos de todo o complexo, independentemente de onde estão alojados. O nosso tinha o pomposo nome Grand Palladium Colonial Resort & Spa, e o motivo da escolha prende-se com a localização mais central no meio do resort, perto da maioria dos restaurantes e da praia.
Um dos quatro lobbies do hotel

O resort é, de uma forma geral, uma grande área de floresta de palmeiras, vedada, com edifícios de quartos (mais de 2000) e restaurantes, spas, lojas, bares, discotecas and so on. Uma pequena cidade, pode dizer-se. A ligar os vários blocos, que podem estar até a 2 km de distância, circulam vários 'comboios'.


Logo no check-in, uma surpresa... havia um problema de falta de quartos, e por isso ofereceram-nos um upgrade gratuito para um quarto com jacuzzi. Porém, era um presente envenenado, pois o novo quarto ficava no bloco Riviera, um dos mais afastados dos restaurantes e serviços. Apesar de serem só 500 metros, levavam sempre uns 10 minutos a percorrer. Bem, pelo menos sempre foi uma forma de cuidar do físico.

No check-in puseram-nos uma pulseira, que nos identificava como hóspedes. Uma vez que o regime era tudo incluído, podíamos comer em qualquer restaurante ou beber o que nos apetecesse em qualquer bar, a qualquer hora do dia ou da noite, sem pagar mais um chavo!

Eram horas de jantar, por isso fomos ao quarto mudar de roupa (as malas já lá estavam) e fomos logo até um dos maiores restaurantes, estilo buffet, comer até rebolar. Depois, duas margaritas de fresa a cada um no bar, e fomos para a cama (entre outras coisas) corrigir o jet lag. :D

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

México!

Chamar à viagem que fizémos à Riviera Maya "México" é, claramente, um excesso. O México é um país enorme (14º maior do mundo), mas tirando a capital (Cidade do México), eventualmente a meio duma viagem de 800 km entre Guanajuato e Oaxaca, tudo o que me levou a colocar o país nesta lista está reunido numa única região: a Península do Iucatão.


Há anos que andava a sonhar com a viagem ao México. Nos últimos 20 anos o destino popularizou-se por cá, e já por várias vezes tinha recusado propostas de viagens com amigos, o que não me impediu de ir planeado algumas coisas e procurando informação.


Uma das conclusões a que cheguei é que não vale a pena procurar viagens fora das agências de viagens. Voar para o México em voos regulares muito dificilmente fica abaixo dos 700€. A isso acresce transferes, estadia, alimentação, talvez um seguro de viagem... Por outro lado, nos pacotes das agências de viagens consegue-se, procurando bem, preços interessantes com tudo incluído (avião - transferes - estadia - alimentação e bebidas).

Apesar de optarmos, como se está a ver, pelos pacotes já feitos, a viagem obedece sempre a algum tipo de planeamento, e logo para começar, a altura do ano. Podem dizer-vos, nas agências de viagens ou em qualquer outro lugar que a época alta são os meses de Verão (Julho/Agosto/Setembro). Bullshit!, isso é um truque para agradar ao mercado turístico europeu e americano. A época alta é quando a meteorologia é melhor, e na região das Caraíbas isso não acontece nos meses de Verão. No caso específico da região do Iucatão, os meses menos chuvosos vão de Dezembro a Abril, e é precisamente em Abril que se registam temperaturas máximas acima de 30º, e mínimas acima de 15º. Portanto, nem havia lugar a dúvidas: íamos ao México em Abril!

Procurei exaustivamente pacotes de uma semana na região de Riviera Maya (ao lado e mais barata que Cancun) em agências de viagens de vários países. Tentei escolher um resort de boa qualidade, com boa praia, para satisfazer os desejos de dolce fare niente do P, já que as férias seguintes iam ser tudo menos isso.

Contas feitas, viajámos pela DominicanaTours, a mesma agência com que fomos à Tunísia em 2011. Apesar de também operarem a partir de Lisboa, compensou comprar o pacote com saída de Madrid e comprar à parte a viagem Lisboa - Madrid, pela easyjet.

Assim, gastámos 67€ cada pelos bilhetes Lisboa - Madrid e Madrid - Lisboa, partilhando uma mala de porão entre nós os dois, e 910€ por uma semana no hotel Grand Palladium, um resort de 5 estrelas com uma pontuação razoável na extensa lista de hotéis do género. Eu queria ir para o Adonis Tulum (um resort gay), mas o P preferiu algo mais... convencional.


quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Update

Pois parece que andamos desaparecidos... e infelizmente não pelos melhores motivos.
Depois de duas semanas de Italian Escape, voltei ao ginásio com tanta pujança que logo no segundo dia arranjei (diz a fisiatra) uma rotura muscular e pelo menos um mês de repouso. Um descanso depois das férias é sempre bem-vindo, mas desta forma imposta, dispensava...

Passei a primeira semana de cama, o que até podia ser agradável não fossem as dores horríveis mal mexesse qualquer músculo para além dos extraoculares. Na semana passada comecei a fisioterapia, acompanhada de choques eletricos, e finalmente estou a começar a ver melhorias.

Pela primeira vez na vida, vi-me efetivamente debilitado, e dependente de outra pessoa. Não foi uma coisa fácil de admitir que não me conseguia levantar sozinho, comer, tomar banho... felizmente tenho um namorado espetacular, que trata de tudo incansavelmente, me leva diariamente à fisioterapia, cozinha, e me dá alento para não desistir na recuperação. Já te disse que és a pessoa mais fantástica que já conheci?

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Valencia

Uma semana de férias passa sempre a correr, seja em Benidorm ou em Lisboa (agora que penso nisso, desde que vivo em Lisboa nunca cá passei uma semana de férias).

Guardámos o último dia para ir a Valencia, a cerca de 140km de Benidorm. Há muitos anos que queria ir a Valencia. As estruturas desenhadas por Santiago Calatrava (arquiteto da Gare do Oriente, em Lisboa) são a imagem de marca da cidade (ou eram), mas a verdadeira surpresa foi a parte antiga. Começámos por deixar o carro num parque subterrâneo na Plaça de la Reina, junto à Catedral de Valencia. Nessa praça, no posto de turismo, deram-nos mapas turísticos, com uma sugestão de um passeio pedonal pelos principais pontos do centro histórico, que acabámos por seguir quase à letra. 

Começámos precisamente pela catedral, que começou por ser um templo romano, depois convertido a mesquita, e finalmente a templo católico. É uma mistura de estilos, comum neste tipo de obras sujeitas a sucessivas modificações ao longo dos séculos (gótico espanhol e francês, românico, barroco, neoclássico, renascimento -- não percebo nada disto, mas vinha no folheto, lol).


Subimos à torre campanária Micalet (2€), um dos símbolos de Valencia, com quase 600 anos. São 203 degraus de uma escada em caracol apertada, que nos levam a 70 metros de altura, com uma vista fantástica. Cada um dos seus 11 sinos tem um nome próprio: CatalinaMariaJaimeVicenteBárbaraPablo...


Saímos para a Plaça de la Mare de Déu, que é o epicentro do bairro mais antigo de Valencia. Para além da Puerta de los Apósteles da Catedral, dão para esta praça a Basílica de la Virgen de los Desamparados (padroeira da cidade) e o Palau de la Generalitat Valenciana (governo autónomo da Comunidade Valenciana).


Seguindo pela Carrer de Navellos, uma rua pedestre, passa-se na Plaça de San Lorenzo, onde fica o Palau de Benicarló, outrora residência dos Borgia e que é agora a sede das Cortes Valencianas (parlamento regional).

A pouco mais de 300 metros ficam as Torres dels Serrans, uma das doze portas na muralha que protegia a cidade antiga. Construídas no final do século XIV, funcionaram como prisão até há 120 anos atrás. É possível subir ao cimo (2€), mas não o fizémos. Em vez disso, tomámos um café numa esplanadinha simpática ali ao lado, para recuperar energias.


Descendo a Carrer de Serrans, encontramos a Plaça de Manises no cruzamento com a Carrer dels Cavallers, com dois palácios (Baylía Marqués de Scala). Nesta altura saímos um pouco do percurso sugerido para ver as Torres de Quart, que tal como as dels Serrans, eram portas de entrada na cidade. Estas têm o pormenor de apresentarem nas suas paredes as marcas dos disparos de canhão durante a Guerra da Independência Espanhola (contra a França em 1808).

Plaça de Manises



Ali perto fica o Mercado Central de Valencia, o maior da Europa, mas sobretudo a Llotja de la Seda, ou Mercado da Seda, um dos mais importantes monumentos da cidade, desde 1996 considerado Património da Humanidade pela UNESCO (vale a pena ver aqui os pormenores das gárgulas, cada uma melhor que a outra).

Foto daqui.
Depois de pararmos em algumas lojas de souvenirs onde o P queria comprar este mundo e o outro, continuámos até à Plaça de l'Ajuntament, uma das principais praças da cidade, onde fica a 'câmara municipal' de Valencia, e depois um pouco mais abaixo até à praça de touros e o Mercado de Colon, um mercado que foi renovado recentemente, do género do Mercado de San Miguel em Madrid (ou, noutra escala, o Mercado de Campo de Ourique, em Lisboa).

Mercado de Colon



Vagueamos mais um pouco pelas ruas, comemos um gelado (estavam 36 graus!) e voltámos ao carro, para ir ao outro ex-libris de Valencia, a Cidade das Artes e Ciências. É um complexo arquitetónico (imaginem, por exemplo, o Parque das Nações), desenhado por Santiago Calatrava, um dos mais conhecidos arquitetos espanhóis (há uns anos atrás este complexo esteve envolvido em grande polémica, porque parece que houve umas derrapagens orçamentais... upa upa).



What you see is what you get é, basicamente, o que a Cidade das Artes e Ciências oferece; espelhos de água, construções futuristas, onde a cor branca e azul dominam a paisagem. 
L'Hemisfèric, em forma de olho, é um cinema IMAX; o Museo de las Ciencias Príncipe Felipe é um dos edifícios mais originais, só ultrapassado pelo Palacio de las Artes Reina Sofía, que funciona como ópera e sala de espetáculos; L'Oceanogràfic é um oceanário, descrito como o maior da Europa. 





Quando acabámos a sessão fotográfica já eram horas de jantar, por isso fomos até à zona da praia, onde uma série de restaurantes virados para o mar proporcionavam um agradável momento de relax depois de um dia de explorações pela cidade (palavras do Lonely Planet). Foi aí que jantámos, antes de nos fazemos novamente à estrada. Próxima paragem: Lisboa. Números redondos, 1000 kms, ou seja, atravessar toda a Península Ibérica. Chegámos a Lisboa às 7 da manhã. Cedo! Ou tarde! Como em tudo, depende da perspectiva.


domingo, 21 de Setembro de 2014

Benidorm e Alicante

Depois de 3 noites no Hotel Fetiche, que apesar de só ter duas estrelas deixa muitos de quatro a um canto, tivémos de mudar para outro hotel. Na verdade, o segundo alojamento em Benidorm nem era bem um hotel, mas um aparthotel.

Raramente os aparthoteis são melhores do que o hotel, mas por outro lado permitem economizar bastante, ao disponibilizar uma cozinha (em versão extra-small) que permite poupar dinheiro em restaurantes e/ou melhorar a qualidade da alimentação.

Nas 4 noites seguintes ficámos então nos Estudios Benidorm (190 €), numa rua sem trânsito, cheia de esplanadas e movida. Por dentro não eram nada de especial, mas por fora parecia uma gaiola gigante. O P., como já é hábito, gostou muito do sítio. Pelo menos havia uma mesa e cadeiras na varanda, onde fizémos todas as refeições, com vista para os hóspedes do prédio em frente... Por outro lado, quem ficasse neste hotel pode utilizar a piscina do Hotel Benidorm Plaza, um quatro estrelas a uns 200m, e foi o que fizémos sempre que não nos apeteceu ir até à praia.



Foi só no penúltimo dia que voltámos a pegar no carro, para ir até Alicante, a 45km. De Alicante, a melhor memória que tenho é... Jose Maria Manzanares, un pedazo de torero (aparte da simpatia ou não tauromáquica). Disse uma vez que, por razões profissionais, leio a Hola com alguma frequência, e de facto este rapazinho faz-me suspirar.
Esta e outras fotografias aqui

Não começámos pelo Manzanares, mas pelo Castelo de Santa Bárbara, que deve o seu nome por ter sido conquistado aos mouros no dia de Santa Bárbara, 4 de Dezembro de 1428. Fica no topo do monte de Benacantil, uma posição estratégica pois dali avista-se toda a Baía de Alicante e as terras à volta.






Descemos até à cidade, e demos uma volta pela zona do porto, onde estava uma imitação do navio Santísima Trininad. O original, construído em 1769 em Havana, foi no seu tempo o maior barco do mundo. Este, porém, nem era uma verdadeira réplica, e a bordo em vez de canhões e marinheiros tinha um restaurante e uma discoteca. Ficámos pelas fotos exteriores, antes de darmos um saltinho à praia.



A praia de Alicante tem um pormenor que lhe tira algum encanto... a meio da tarde o Sol esconde-se atrás do castelo. Aproveitámos mesmo os últimos raios de sol, por volta das 18h, mas a verdadeira surpresa foi quando entrei na água. Até então, o meu record de água quente, exceptuando fontes termais e água aquecida por actividade geotérmica, foi na praia de Mellieħa, em Malta (melhor que Brasil ou México). Porém, a praia de Alicante bateu esse record. Não sei precisar a temperatura, mas era seguramente acima de 26º, de tal forma que tínhamos calor dentro de água. Uma autêntica canja... de coelho, lol.

À noite, geladinho em Benidorm