dois coelhos

Esta é a nossa história, dois rapazes destinados um para o outro, que se conheceram quando um tinha 20 anos e o outro 26.
Desde esse dia que a nossa vida mudou para sempre! E vocês são as nossas únicas testemunhas!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

The way to San Francisco

Foi uma noite muito mal dormida. O P já tinha andado a sentir-se esquisito durante o dia anterior, e nessa noite teve febre. Não tive coragem de o acordar às cinco da manhã, naquela cruzada louca para chegar a Yosemite. Acordámos às 7h, tomámos o pequeno-almoço e fizemo-nos à estrada.






Uns quilómetros à frente parámos numa bomba de gasolina e perguntei ao funcionário (novo e giro) se tinha ideia de como chegar a Yosemite Village. A pergunta devia ser frequente, porque sacou de um mapa de estradas impresso numa folha A4 e marcou com marcador florescente o caminho mais curto e rápido para o parque... era tipo isto:
520 km, tempo estimado 6h30 (inicialmente o previsto era 150 km em 2h); 

Nesse dia já iriamos dormir a São Francisco, o que totalizava quase 900 km, mais de 10 horas de condução. Não era exequível.

 Engoli em seco, e decidi deixar o Yosemite para a próxima. Como dizia o João Máximo há uns dias, um dia voltarei lá (talvez não ao Grand Canyon, mas gostava de ir a Yosemite). Seguimos pela US 395 acima, em direção ao Lago Tahoe, o maior lago alpino dos EUA, a quase 1900 metros de altura. 



Circundámos uma pequena parte do lago, parámos, tirámos fotos...





Agora, pergunta para queijinho, qual é a capital da Califórnia? Eu, num célebre concurso de televisão, teria respondido Los Angeles. Eventualmente algum de vocês pensaria em São Francisco. Mas não conheço ninguém que respondesse Sacramento, a verdadeira capital da Califórnia há 160 anos.

Sacramento ficava precisamente no caminho para São Francisco, e uma vez que tinha riscado Yosemite do percurso, sobrava-nos algum tempo. Acresce ainda o facto de nesse dia precisamente mudava a hora nos EUA (desconhecia, mas é uma semana depois da Europa), o que nos dava também uma hora a mais. Por tudo isso, cometi o erro crasso de passar pelo centro de Sacramento para dar uma vista de olhos, o que foi tempo completamente perdido porque a cidade não tem nada de especial interesse. 


Duas horas depois entrámos em São Francisco, vindos de norte, atravessando a Golden Gate (6 dólares, só se paga no sentido norte-sul). É uma sensação um pouco estranha atravessar a Golden Gate. De uma momento para o outro parece que estamos a atravessar a nossa ponte 25 de Abril. As comparações são inevitáveis, uma vez que são ambas pontes suspensas e da mesma cor (e até o fornecedor do aço foi o mesmo).

Atravessámos São Francisco para ir para o aeroporto, precisamente a sul da cidade. Depois de pesquisas exaustivas, cheguei à conclusão que manter o carro em São Francisco seria uma dor de cabeça e muito oneroso, por isso fomos deixá-lo na rent a car, no aeroporto.




A rede de transportes Bart, da área metropolitana da baía de São Francisco, é uma das mais eficientes do mundo, e num instante estavamos de volta ao centro da cidade, mais propriamente ao Mission District, onde vive o Ralph, um kids fashion designer de 48 anos. Comemos num McDonalds no caminho um dos menus mais populares de sempre na América, o McRibs, com mais de 60 químicos adicionados (imagem daqui)

O Ralph aceitou acolher-nos durante três noites, apesar de no seu perfil do couchsurfing referir que apenas recebia um visitante de cada vez. Não é a primeira vez que isso nos acontece. Durante três anos partilhá-mos uma cama de 90 cm, por isso conseguimos ocupar pouco espaço, argumentei eu.

O namorado do Ralph (sim, o Ralph é gay, mas já foi casado e tem uma filha de 10 anos - nesta altura não posso deixar de pensar no nosso querido Sad Eyes) é um dos mais conhecidos arquitetos americanos contemporâneos, com obras da sua autoria em várias publicações da Taschen. Não vivem juntos ainda, pelo que não o conhecemos.

Não achei o Ralph especialmente simpático. Sem que tenha sido antipático, faltou ali alguma empatia que normalmente costuma surgir naturalmente. Ainda assim, mostrou-nos alguns guias de São Francisco e ajudou-nos a planear o dia seguinte.

25 comentários:

  1. Ainda assim, deve ter valido a pena! ^^

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    1. Bem, João, eu diria que vale sempre a pena, nem que seja pela aprendizagem.

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  2. Mais um bocadinho dessa memorável viagem. S.Francisco é junto com New Orleães a cidade que mais gostaria de visitar nos EUA.
    Fico a aguardar as vossas referências da cidade.

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    1. Estes posts são como uma velha carripana, hoje andam um bocadinho, para a semana mais outro...

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  3. Como sabes, adoro os E.U.A, que exercem um fascínio fortíssimo sobre mim. Já não moraria lá porque é povo ambíguo, oscilando entre o progresso e o conservadorismo, e há detalhes que me fazem imensa confusão, a mim, europeu, como o direito de todos os cidadãos a terem armas. Algo secular que não faz o menor sentido e só estimula os crimes de sangue.
    A Califórnia é aquele 'clássico' e por acaso até sabia que a capital é Sacramento. Essa é tipo a capital do Texas que quase todos dizem 'Dallas', ou a capital do Canadá que dizem 'Toronto' e ainda da Austrália que dizem 'Sydney'. LOL

    A Golden Gate é uma das minhas pontes preferidas e não é à toa que tem imensas semelhanças com a nossa 25 de Abril, ponte lindíssima e, a meu ver, já um ex libris da cidade. A nossa foi construída por uma companhia americana, daí a inspiração também, digo.

    Oh, quem me tira o Big Mac tira-me tudo (ou tirava-me, que deixei-me desses comeres).

    Uma referência ainda ao Sad. We miss him. :/

    E, por último, na primeira foto vejo duas camas abertas. Dormiram em camas separadas? LOL

    um abraço.

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    1. Eu também tinha ideia que havia cidades capitais de estado que nem eram muito conhecidas, mas só quando preparei a viagem é que me defrontei com isto. Outra muito flagrante é a capital do estado de Nova Iorque, a cidade de Albany, ou a do estado de Washington, que juraria ser Seatle mas é Olympia.

      Não domimos em camas separadas, Inicialmente estavamos para dormir na cama da esquerda, mas depois preferimos a da direita, mas por mais estreita que seja, dormimos sempre agarradinhos (é o drama do meu rapaz).

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  4. continuo com muita inveja vossa, é só o que tenho a dizer :p

    r: oh um magnum de vez em quando não te faz mal :p | é mesmo...

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  5. Uff, que estafa! Mas chegaram a São Francisco, que é uma das cidades que queria conhecer, por isso aguardo ansioso os próximos capítulos.

    Abraço.

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    1. É mesmo uma estafa, mas já está quase no fim. :)

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  6. Gabo-vos a coragem de ir assim dormir a casa de pessoas... que podem ser psicopatas lololol

    As fotos são geniais. A minha favorita é a do passadiço em madeira. Muito gira. Babei. E toda esta viagem dá vontade de querer ir sair daqui já amanhã... ai que vocês estão a deixar-me com desejos e depois a criança sai com cara de guia turístico... LOLOL isso não se faz LOL

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    1. Não sei se conheces o modo de funcionamento do couchsurfing, mas há todo um conjunto de referências que se vão construindo e ajudam a perceber melhor se a pessoa é de confiança ou não. Claro que fica sempre um certo grau de incerteza, e pela primeira vez em dezenas de pessoas onde já ficámos, as coisas não correram assim tão bem...

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  7. Respostas
    1. Vai ter, um dia, quem sabe com o Artista. ;) E tal como nós, vais fazer... do bom. ;)

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    2. por acaso estamos a tentar marcar uma viagem, mas para algum sítio perto e barato.
      eu nunca fui a barcelona por acaso, mas ele já foi.. por isso.. não sei, também gostava de berlin, dublin ou amesterdão.

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    3. Nunca fomos a Dublin. Em Amsterdão ficámos em casa de um casal espetacular, na altura eram namorados e mais tarde casaram, precisamente quando estavamos na América. Berlim também é giro, mas estivemos doentes lá e não aproveitámos tanto, nem saímos à noite.
      E se o custo é um problema a ter em conta (não é sempre?), olha que Madrid também é altamente.

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    4. já estive duas vezes em madrid, e sim, gosto bastante da cidade :)

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    5. Realmente talvez fosse giro que fosse um sítio novo para os dois. Nunca investiguei muito Dublin, só ouço falar de Temple Bar. Dessas hipóteses preferia claramente Amsterdão, já lá estive umas 5 vezes, e adorei todas.

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  8. Claro que voltas!!!
    (Até porque te (nos) falta o Yellowstone...)

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    1. É mesmo, falta o Yellowstone. Se não fosse tão 'fora de caminho', até tinha tentado encaixar nesta viagem. Mas também te digo, depois de Yellowstone e Yosemite, não sei o que me levaria de volta aos states.

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