dois coelhos

Esta é a nossa história, dois rapazes destinados um para o outro, que se conheceram quando um tinha 20 anos e o outro 26.
Desde esse dia que a nossa vida mudou para sempre! E vocês são as nossas únicas testemunhas!

sábado, 15 de Dezembro de 2012

Nova Iorque 2

No segundo dia em Nova Iorque começámos por explorar a zona do Jack, o bairro de Chelsea e a Village. A uns 2 quarteirões (tudo se mede em quarteirões, que basicamente correspondem a cada quadrícula do mapa de Manhattan) da casa do Jack fica a High Line, construída em 1847 com um objetivo totalmente diferente do seu uso atual. Inicialmente era uma via ferroviária elevada, ou seja, uma ponte por onde passavam combóios (que inclusivamente atravessa edifícios) que abasteciam de mercadorias a área do Meatpacking District. Porém, as pressões do lobby dos transportes rodoviários de mercadorias levaram a que a linha fosse desativada, e posteriormente deixada ao abandono. Finalmente, em 1999, numa altura que se falava em demolir a estrutura, um grupo de pessoas conseguiu algo estupendo: não só evitaram a sua demolição como conseguiram transformar estes quase dois quilómetros de ponte... num parque. Já conhecia a história de um documentário do National Geographic (não encontrei esse mas este é igualmente bom), mas ao vivo é muito melhor!









Por todo o lado viam-se dois tipos de decoração: campanha para as eleições e Halloween. Sempre tive curiosidade de perceber como é que  esta tradição tão americana é vivida no seu país de origem (o que nem é verdade, o Halloween tem origem celta). Havia imensas casas decoradas com teias de aranha, vasouras, bruxas, esqueletos e, porta sim porta sim, abóboras.












Fomos andando por Greenwich Village até chegarmos ao número 66 da Perry Street. Fica aqui a foto do que encontrámos lá. Alguém sabe o que é?



Aqui fica um close up para ajudar...



Na esquina desse quarteirão fica a The Magnolia Bakery, que é provavelmente a loja de cupcakes mais famosa do mundo. Não sou grande fã de cupcakes, mas não podiamos evitar comprar ali um, um autêntico cliché.





Mais do que chuva, o vento e frio eram agressivos. Tinha levado sapatilhas porque toda a gente me disse "em Nova Iorque prepara-te para andar", e a maioria do tempo... tinha os pés frios.

Andando mais um bocado a pé, chegámos a um marco que, como gays, não poderíamos evitar: The Stonewall Inn, um local mítico na história dos direitos dos homossexuais quando, em 1969, foi alvo de um violento confronto entre polícias e clientes do bar. O bar estava fechado, e parece que o negócio não tem corrido muito bem. Desde 1969 já ocuparam aquele espaço um restaurante chinês, uma sapataria e uma loja de sandwiches e bagels. Desde 2007 que é novamente o The Stonewall Inn, where pride began! A Gay Street, que não tem nada a ver com gays exceto no nome, fica também ali ao pé.






Mais 10 minutos e chegámos à Washington Square, um parque muito giro, com um Arco do Triunfo, construído na celebração dos 100 anos da presidência de George Washington. Este parque serve também de campus à New York University, e por isso estava cheio de estudantes a comerem as suas marmitas.





Do lado oposto ao Washington Arch fica a Judson Memorial Church, uma igreja baptista que viria a ter relevância nos dias seguintes.



Apanhámos o metro para Battery Park, bem na ponta sul de Manhattan. Daqui saem os ferries para Staten Island (estes ferries são gratuitos, a vista para a cidade é espetacular e é um dos melhores segredos lowcost de Nova Iorque). Porém, havia outro ferry à nossa espera: o que nos levaria à Estátua da Liberdade.





Os procedimentos de segurança são do género aeroporto, antes de embarcar e depois de chegar à Liberty Island. É possível subir à cabeça da estátua, mas esses bilhetes esgotam com muita antecedência. Com menos antecedência também esgotam os bilhetes para entrar no pedestal da estátua, mas como tinha comprado online não corri esse risco. Os bilhetes mais básicos permitem apenas visitar a ilha, mas não entrar na base da estátua.

Ficámos umas 2h30 por lá. O bilhete incluia ainda uma visita a Ellis Island, onde chegavam milhões de imigrantes de todo o mundo entre 1892 e 1954, devido ao mau tempo que se avizinhava já não fomos a tempo da visita a essa ilha.









De volta a Battery Park, fomos ao Castel Clinton, uma forte que também serviu de entrada na busca do sonho americano a 8 milhões de pessoas, de 1855 a 1890, entre eles, Joseph Pulitzer, em honra dos quais são atribuidos os prémios Pulitzer, enquanto comíamos bagels.



Toda a cidade é muito cinematográfica, especialmente a baixa de Manhathan. Estar ali com o P encheu-me o coração de alegria. Nunca tive o desejo de ir a Nova Iorque, mas sabia que isso era um sonho para ele. Pelo contrário, a viagem a Paris era um sonho de ambos, mas para mim tinha um significado especial. Ver o P ali em Manhathan tal como o vi em Paris, apesar de todas as merdas que se passam nas nossas vidas e das dificuldades que passamos para manter esta relação, fez-me sentir o homem mais feliz do mundo.

Voltámos ao metro, para irmos ao edifício mais alto de Nova Iorque, o Empire State Building. Um bom truque é ir ao final da tarde, para poder ver lá de cima o anoitecer e as luzes da cidade a acender. Conseguimos isso, e deixem que vos diga que a vista é espetacular. Sem dúvida, subir ao Empire State Building é um marco inevitável numa viagem à Big Apple. Só foi mesmo pena que a máquina fotográfica não seja melhor, mas um dia havemos de ter uma máquina com objectivas maiores que os nossos piços (quando vejo alguém com máquinas fotográficas com grandes lentes e objetivas digo que é para compensar os piços pequenos).





Saímos do Empire já tarde. Tínhamos combinado jantar com o Jack, mas antes do jantar fizemos a degustação de um vinho e um queijo que lhe tínhamos levado de cá. Depois fomos jantar a um restaurante mexicano ali perto, muito posh. O Jack ofereceu-nos o jantar. Voltámos para casa, mais um copo de vinho e fomos dormir.

14 comentários:

  1. Ora aqui está aquilo a que eu chamo uma bela, bem documentada e melhor explicada visita a vários locais (uns mais conhecidos que outros). Preferi de longe as explicações dos menos conhecidos pois dos outros toda a gente fala.
    É difícil não ficar encantado com a forma como vocês viajam, mas isso fica a dever-se essencialmente a uma demorada e muito precisa preparação da mesma.
    Fico à espera do terceiro dia, e a tempestade a aproximar-se...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pinguim, pessoalmente também prefiro os locais mais 'off the beaten path', e investigo esses pontos de interesse com uma curiosidade redobrada. Nunca refleti muito sobre isso, mas acho que até tenho feito uma razoável divulgação desses pontos nos sítios por onde temos passado. Por outro lado, o P é claramente mais 'Top10', e no início não achou grande graça à High Line, por exemplo. Não nego que a estátua da liberdade e o Empire são imprescindíveis, mas não é isso que marca a diferença numa viagem.

      Eliminar
  2. Estou encantado e maravilhado com a descrição. Colocaste-me a pensar em Nova Iorque e que tenho que pensar em colocar como uma das minhas próximas viagens(assim, que tenha mais algum dinheiro disponível ;)

    Abraço amigo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acima de tudo tentei provar que a viagem a um país desenvolvido e considerado caro não tem necessáriamente de ser dispendiosa. Voltando alguns meses atrás, quando vi os mupis a anunciarem vôos e 4 noites em hotel sem pequeno almoço em Nova Iorque por 999 euros, pensei imediatamente 'consigo fazer a festa por muito menos'. E provou-se que sim, se a viagem se tivesse resumido apenas a 4 noites em Nova Iorque teríamos gasto pouco mais de metade.

      Eliminar
  3. Não conhecia a High Line, muito gira e o exemplo perfeito de como reaproveitar uma estrutura desactivada.
    A vista do Empire é um must, nós fomos à noite e parecia que estávamos num sci-fi movie =)
    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, o Empire é infalível. Choraria baba e ranho (coisa que chegou a acontecer) se não conseguisse lá ir acima.

      Eliminar
  4. Bacana as fotos, cada lugar lindo...
    As fotos sinistras de terrores são bem assustadoras...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. São mesmo, eles levam a história do halloween muito a sério.

      Eliminar
  5. Os norte-americanos ligam imenso ao Halloween, e, devido à importância da sua cultura pelo mundo, conseguiram "exportá-lo" até aqui para Portugal. LOL Sim, já se pode dizer que aqui há uma espécie aportuguesada de Halloween. :)

    Um adoraria ir à Estátua da Liberdade: primeiro porque adoro lugares emblemáticos, depois porque deve ser engraçado subir-se dentro da estátua. Soube que antigamente dava para ir à tocha, também. É mesmo assim?


    abraço, coelhinhos :3

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. À tocha não ouvi falar. Dá para ir à coroa, através de uma apertada escada em caracol pelo interior da estátua acima, mas só são vendidos poucos bilhetes porque o acesso fica rapidamente congestionado. Na altura da compra do bilhete tens de escolher logo a hora a que vais.

      Eliminar