dois coelhos

Esta é a nossa história, dois rapazes destinados um para o outro, que se conheceram quando um tinha 20 anos e o outro 26.
Desde esse dia que a nossa vida mudou para sempre! E vocês são as nossas únicas testemunhas!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

São Francisco - Los Angeles

Não podíamos sair de São Francisco sem uma ida à Golden Gate Bridge. É verdade que chegámos à cidade por esta via, mas já era noite e não deu para parar e apreciar a paisagem. Por isso, no nosso último dia na cidade, não havia grandes dúvidas de onde ir.

Logo de manhã, depois do pequeno almoço (incluído no preço do hostel) fomos à rent-a-car da Alamo que até era duas ruas abaixo do hostel levantar o carro para o último segmento da viagem. Desta vez ficámos mesmo com o carro da categoria escolhida (o mais barato), que custou cerca de 100€, por três dias e com o combustível incluído. Além disso, permitia um condutor adicional, e depois de 4000 km eu estava deserto que o P passasse para o volante.

A primeira paragem foi então junto à Golden Gate, num parque panorâmico com pontos de informação sobre a ponte e a sua construção. As comparações com a nossa ponte 25 de Abril são naturais, mas de facto a Golden Gate é maior e mais imponente. Como a ponte permite a passagem a pé, fizémos ainda alguns metros, e senti um arrepio com os telefones de apoio para prevenção do suicídio (a Golden Gate é o segundo local do mundo mais procurado para cometer suicídio).





De volta ao carro, começámos a fazer os cerca de 700 km que nos separavam de Los Angeles. Sem paragens levariam 8 horas a fazer, mas como a vista da Highway 1 é espetacular, fizémos mais paragens do que o esperado. Assim, quando chegámos a Monterey, já começava a cair a tarde. A 17 Mile Drive é uma estrada panorâmica, que atravessa Pebble Beach e Pacific Grove. Aparece em tudo o que é guia, e claro que não deixámos ficar para trás (mas como é uma via particular, ficaram para trás cerca de 7€).

Olha o Namorado... 

Para além dos campos de golfe, um farol e uma ou outra praia que nem são nada por aí além, o que mais atenção merece é o Cipreste Solitário, um cipreste com cerca de 250 anos, encalhado num rochedo junto ao mar.




Um drive in onde parámos para comer





Perto de San Luis Obispo já era noite, e acabámos por decidir fazer o resto do caminho por autoestrada. Em Los Angeles o Paulo e a Laura estavam à nossa espera, e não queríamos chegar demasiado tarde.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

São Francisco 3

Quem faz couchsurfing sabe que há sempre alguns riscos nisto de ficar em casa de desconhecidos. As pessoas não têm feitios iguais, por vezes nem sempre as mensagens que são trocadas previamente são interpretadas da mesma forma... Há até o risco de chegar ao local e bater com o nariz na porta. Por esse motivo, sempre que faço couchsurfing levo comigo uma lista de hostels alternativos, já mais ou menos analisados, para situações inesperadas. Por isso, quando o Ralph nos disse que teríamos de sair no dia seguinte, até senti algum alívio.

No dia seguinte saímos de casa logo de malas, depois de uma despedida mais ou menos fria, com o Ralph a pedir desculpa pela alteração de planos e eu a pensar Va te faire foutre! (tenho tendência a pensar impropérios em francês quando estou chateado). Logo quando acordei liguei para o San Francisco Downtown Hostel e reservei um beliche num quarto de seis pessoas (cerca de 30€ cada). O hostel pertence à cadeia HI Hostels, o que é mais ou menos um selo de qualidade. Fica perto da Union Square, um sítio bastante central. Chegámos, fizémos o check in, deixámos as malas no quarto e fomos continuar a visita à cidade.

Subindo (e descendo) a Hyde Street, ao fim de cerca de 2.5 km chega-se ao topo da Russian Hill, passando por uma série de Painted Ladies, as casas de estilo vitoriano alinhadas nas inclinadas ruas da cidade (o próprio Ralph vivia numa).





Aqui fica uma das imagens mais fotografadas de São Francisco, a Lombard Street, uma rua íngreme em forma de zigue-zague, que foi a forma que arranjaram em 1922 para vencer o desnível de 27% em pouco mais de 100 metros.



Dali descemos novamente até Fisherman's Wharf, porque queríamos almoçar no Boudin Bakery, uma espécie de instituição culinária em São Francisco. De origem francesa (percebe-se pelo nome), o Boudin Bakery autodenomina-se como o detentor desde 1850 da receita do verdadeiro Ensopado de Marisco de São Francisco, o prato típico da cidade.






Não é mau, mas já comi melhor. Prefiro a açorda de marisco da minha sogrinha, lol.

Como ainda tínhamos algumas horas, e o San Francisco Museum of Modern Art estava (e está) fechado para obras até 2016, a alternativa foi ir até ao de Young, um dos melhores museus da cidade segundo o guia Top10.  Fica no Golden Gate Park, que é considerado o pulmão da cidade. O museu em si não surpreendeu, mas tem uma torre com miradouro bastante gira e que justifica a visita. Além disso o parque é enorme e muito agradável para um passeio ao pôr do sol.









À noite voltámos ao hostel. No nosso quarto estavam também dois rapazinhos, um dos quais (o mais engraçadinho) era claramente da nossa equipa e não demorou a meter conversa. Estava a tirar um PhD em Musical Studies na Universidade de Chicago, e tinha vindo a São Francisco a uma conferência. Quando lhe disse que somos portugueses, fez um ar surpreendido e disse "eu tenho um colega português, o Vasco" (não é Vasco, mas isso não interessa nada). O mundo é tão pequeno... eu conheço o Vasco, tive um date com ele. E sabia que ele estava a tirar um doutoramento em Chicago.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

São Francisco 2



De manhã começámos a visita a SanFran pelo Mission Distric. O bairro foi criado por monges espanhóis durante a exploração do continente americano, ocupados em converter os índios para o catolicismo. Hoje é um bairro essencialmente hispânico, conhecido por grafittis e murais espetaculares que adornam as casas. Dali até ao Castro é um pulinho.







Este mural foi pintado apenas por mulheres


Não há turista, gay ou não, que se preze que, uma vez em São Francisco, não vá ao Castro. O cruzamento entre a Castro Street e a 18th Street é apelidado The Gayest Four Corners of the World. Por todo o lado, desde postes de iluminação a casas particulares, há bandeiras de orgulho gay penduradas. Imagino como terá sido, nos anos 70 em pleno Flower Power, com centenas de gays a mudarem-se para esta zona então degradada, e começarem a abrir bares, livrarias e todo o tipo de comércio, de forma livre e espontânea ao contrário dos bares camuflados e escondidos que eram mais ou menos comuns até essa altura. Tenho de ver novamente o Milk e o Woodstock.


Demos uma volta por ali, e comemos um brunch num cafezinho que, como todos os outros, tinha a bandeira gay na porta.

Seguimos a pé pela Market Street, até ao City Hall, e depois até ao cruzamento da Powell Street, onde ficam os mais icónicos cable cars da cidade. Ao contrário do que pensava, os eletricos de São Francisco não têm nada a ver com os de Lisboa. Cada veículo é puxado por um sistema de cabos por baixo da superfície, o que faz com que em qualquer rua que faça parte do percurso se ouve os cabos a deslizarem por baixo da estrada, junto aos carris.




Naquela zona, bastante turística, há uma série de lojas de marcas americanas conhecidas, e o P lá decidiu que queria comprar uns trapinhos. Depois de entrarmos em algumas, na American Eagle Oufitters, quem é que está à nossa frente na fila da caixa? O Dylan Vox, um dos meus actores pornográficos preferidos do tempo em que a pornografia gay era a única expressão da minha homo-bi-sexualidade. Nem queria acreditar, o gajo continua um pão, e apesar do cabelo descolorado por causa da série que andava a fazer (descobri isso depois), está ali um pedaço de mau caminho.


Depois de me recompor fomos até à Union Square, outrora um ponto de destaque na guerra civil americana, que hoje é uma zona de department stores (como o El Corte Inglés). Do último andar da Macy's (uma cadeia de lojas americana que patrocina os prides de diversas cidades) tem-se uma boa vista para a praça.


Dez minutos mais acima fica a Porta do Dragão, entrada para a Chinatown mais antiga do continente americano, e a maior comunidade asiática fora da Ásia.

Ainda que na Chinatown de Nova Iorque o tempo estivesse de furacão, achei-a mais impressionante do que a de São Francisco. De qualquer forma, nada compensa uma ida à China it self!

Atravessando o Financial Distric (com a icónica pirâmide Transamerica), chega-se ao The Embarcadero, uma marginal construída ao largo da Baía de São Francisco. A Ponte da Baía, que liga à cidade de Oakland, é por vezes confundida com a própria Golden Gate Bridge, mas é seis meses mais velha(!).



Apesar de estar um pouco de frio, fez-se bem o caminho ao pôr do sol até Fisherman's Wharf, a Doca dos Pescadores, que é hoje uma zona turística de restaurantes e museus alternativos (museu de cera, museu de recordes do Guiness e outros tourist-traps). É também o ponto mais próximo, a 2.5 km, da Ilha de Alcatraz, onde fica a conhecida prisão, que hoje é museu. A concessionária das visitas à ilha, a Alcatraz Cruises, cobra cerca de 22 euros apenas pelo transporte e exibição de um documentário do Discovery Channel sobre O Rochedo




Jantámos ali em Fisherman's Wharf, uns snacks de camarões e polvo frito, antes de voltarmos a casa do Ralph. A minha impressão do dia anterior confirmava-se, não conseguia criar empatia com ele, havia ali qualquer coisa que não estava a funcionar (hoje sei o que foi, lol). E não melhorou quando, pouco antes de irmos dormir, o Ralph veio à sala e disse "ah, esqueci-me de vos dizer, vou passar o fim de semana com o meu namorado e vocês amanhã têm de ir embora". Fuck you!