dois coelhos

Esta é a nossa história, dois rapazes destinados um para o outro, que se conheceram quando um tinha 20 anos e o outro 26.
Desde esse dia que a nossa vida mudou para sempre! E vocês são as nossas únicas testemunhas!

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domingo, 6 de maio de 2012

Budapeste → Genebra

Estamos de volta da nossa viagem ao sul de Espanha. Mas como o blogger não colaborou, os posts que tinha aqui programados não saíram.

Era o nosso último dia em Budapeste, mas ainda nos faltava visitar um dos ex-libris da cidade: o Parlamento. 

Saímos de casa cedo, já com as malas apesar do voo ser só às 16h, porque os nossos anfitriões iriam estar a trabalhar/estudar todo o dia. O Gusztáv acompanhou-nos até Nyugati pályaudvar, a Estação Oeste (pela Estação Este tínhamos passado no autocarro turístico). A Estação Oeste é giríssima por fora e por dentro, deu-me um pouco a sensação de estar num cenário do Um Crime no Expresso do Oriente, da Agatha Christie. 

Depois das despedidas, abraços, 'venham ver-nos a Portugal', 'voltem quando quiserem', fomos deixar as malas nos cacifos e partir para o Parlamento. Porém, alguma coisa tinha de correr mal! Uma qualquer cerimónia da União Europeia (ok Mark, desta vez não gosto da UE) impediu que visitássemos o interior. Por fora é uma obra fantástica, das mais espetaculares que já vi. Tirámos fotos como se não houvesse amanhã.





Uma curta viagem de eletrico depois, estávamos de novo junto à Ponte das Correntes, e após mais umas quantas fotos fomos tomar o pequeno almoço ao JégBüfé, uma pastelaria intacta desde o período comunista e com bolos deliciosos. Só não tem é cadeiras para sentar, ou se come ao balcão ou se vai comer para a rua (parece que naquele tempo os soviéticos não eram muito dados a socializar nos cafés, lol). Optámos por comer na rua, porque o dia estava agradável e havia por ali bastantes ruas pedestres com bancos. 


Voltámos para a estação por volta das 13h, e ainda fomos comer qualquer coisa ao McDonalds. Só então apanhámos o comboio para o aeroporto. Às 18h30 estávamos em Genebra.

Não preparei muito a visita a Genebra. Não era uma cidade que tivesse muita curiosidade em conhecer, mas as rotas da easyjet fizeram com que essa fosse a cidade de ligação com melhores preços para regressarmos a Lisboa. No entanto, não descurei um pormenor... os turistas (desde que alojados em hotéis, hostels ou parques de campismo) não pagam transportes públicos em Genebra! Pois, países do 1º mundo é outra loiça! Para começar, no aeroporto na zona onde se recolhe a bagagem há uma máquina que emite gratuitamente um bilhete para o comboio de ligação ao centro da cidade. Depois, quando se faz o check-in no hotel é dado um bilhete que permite usar gratuitamente a rede de transportes durante a estadia.

Ficámos no City Hostel, um dos poucos hostels que encontrei em Genebra, por 30€ cada num quarto duplo. Uma vez que ficaríamos por ali apenas uma noite nem procurei alguém que nos emprestasse um sofá. Fomos às compras ao Lidl (é tudo super caro!) e fizemos o jantar na cozinha do hostel


E fomos para a cama tirar a barriga de misérias, que finalmente tínhamos alguma privacidade! :)


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Budapeste 3

Se tudo correu bem, neste momento já estamos em Sevilha Córdoba Granada Málaga (a viagem corre bem, mas o blogger anda maluco por estarmos em Espanha, só pode!). Porém, as crónicas da nossa anterior viagem vão continuar por aqui.

No nosso 3º dia em Budapeste saímos de casa logo pela manhã. Depois de apanhar o metro na 2ª linha de metro mais antiga do mundo (logo a seguir ao de Londres) saímos mais uma vez na Praça dos Heróis, para tirar mais umas quantas fotos.

Depois voltámos para o centro, porque no dia anterior não tínhamos chegado a entrar na Basílica de Santo Estêvão, e fiquei com curiosidade em relação à mão do santo que ali se encontra em exposição. A Basílica é muito gira por dentro, e tem um zimbório com uma vista espetacular. Fica a 96 metros de altura (a mesma altura do Parlamento Húngaro), e não é possível construir nada mais alto que isto.








A mão direita de Santo Estêvão, considerada incorruptível, está exposta numa pequena sacristia por detrás do altar, num dos melhores exemplos de folclore religioso que tenho visto. Na pratica, é uma vitrina com a forma de uma igreja, cheia de adornos. Quando se introduz uma moeda numa pequena ranhura acendem-se as luzes no interior e permite ver uma peça anatómica que faz lembrar uma mão, com algumas jóias à volta. Os turistas aproximam as cabeças rapidamente para tentar perceber exactamente do que se trata e... a luz apaga-se novamente. Mais uma moedinha, mais uma voltinha....


O tal bilhete para autocarro de turista que o P me convenceu a comprar dava direito a uma viagem de barco no Danúbio, ao largo de Budapeste. Por isso apanhámos o dito barco e a hora seguinte foi bem passada a ouvir as explicações dadas sobre a história e os edifícios que íamos vendo.O edifício mais impressionante é, sem dúvida, o Parlamento Húngaro, em estilo gótico revivalista com aspectos barrocos e renascentistas, construído em 1885. É o maior edifício da Hungria e o terceiro maior edifício parlamentar do mundo.

Depois do passeio de barco já eram 14h e a fome apertava. Uma vez que não estávamos longe, fomos até um dos sítios mais típicos de Budapeste, o Nagycsarnok, o Grande Mercado. Construído em 1896, tem três andares e é o maior mercado coberto do país. O andar térreo é essencialmente de venda de produtos alimentares. Como não podia deixar de ser comprei algumas embalagens de paprika húngara, um dos produtos mais conhecidos do país. No primeiro andar há uma série de restaurantes que me fizeram lembrar as barracas de comida da feira do relógio. Sou um cromo, mas quando vou à feira do relógio não dispenso uma bifana ou umas moelas, lol. Ali não havia nada disso, e comemos uma espécie de cuscus com carne, uma lasanha estranha com couves pelo meio, umas almôndegas secas panadas em alho em pó (hmmm)  e para finalizar o aperitivo típico da Hungria, o unicum, um licor de ervas envelhecido em cascos de carvalho. Para finalizar, uns crepes de chocolate e banana feitos à nossa frente que eram de comer e chorar por mais.




Ainda subimos ao segundo andar, o mais procurado pelos turistas por ser aí que estão as melhores e mais baratas tendas de souvenirs. Comprámos uns quantos ímanes, canecas, postais e t'shirts.

Às 16h voltámos para o outro lado da cidade, Buda, para visitar um dos museus mais curiosos onde já estive, o Hospital in the Rock. Como é que eu vos hei-de explicar isto? Debaixo da zona do castelo de Buda existe uma rede de cerca de 10km de túneis, alguns com origem natural outros construídos pelo locais ao longo dos tempos. Durante a 2ª Guerra Mundial, com os órgãos de governo a funcionar precisamente na zona do castelo, a rede de túneis foi tornada secreta e fortificada, de forma a servir de abrigo em caso de ataque aéreo. Depois decidiu-se pela construção de um hospital militar nesses túneis, resistente a ataques nucleares ou químicos, equipado com geradores, filtros de ar e água, alimentos e equipamento hospitalar (bloco operatório, enfermarias, raios-x, etc), de forma a acomodar até 700 doentes!!! Fiquei impressionado.






Depois de 1h às voltas nos túneis atrás de um guia vestido de militar do tempo da guerra fria voltámos para Peste, para experimentarmos finalmente uma das maiores instituições húngaras... as termas.

Tinha lido bastante sobre isto e tinha discutido o assunto com o Gusztáv, o Dezsö e os amigos deles. As termas Gellert são melhores, mas as Szechenyi são as mais impressionantes, por isso lá fomos a banhos. À entrada conheci um realizador norueguês e a sua equipa que iam fazer um documentário sobre as termas, e acabámos por comprar um bilhete de grupo. Ficou em cerca de 8€ por pessoa, com direito a um cacifo. As imagens falam por si. Deixem-me só dizer-vos que estavam cerca de 5º C na rua, e a água nas 15 piscinas oscilava entre os 26 e os 38º. Ficámos lá até ser noite. A água fumegava e só nos custava era mudar de piscina. Era uma autêntica canja de coelho!










 Depois do jantar encontrámo-nos com o Gusztáv, que nos fez um passeio com guia turístico por mais umas quantas ruas, com destaque para a Sinagoga de Budapeste, a maior da Europa e a 5ª maior do mundo.

Foi com pena que regressámos a casa deles. Era a nossa última noite em Budapeste, e tínhamos adorado a cidade. Não me importava de lá ficar mais uns dias, apesar de termos visto as principais atracções.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Budapeste 2

O nosso segundo dia em Budapeste na verdade era o primeiro, porque no dia anterior já não tínhamos saído de casa.

Saímos de casa cedo. Quando ficamos em sofás de desconhecidos (que depois se tornam amigos) temos de nos sujeitar às suas regras: o Dezsö e o Gusztáv sairam de casa logo de manhã, e nós saímos com eles. Regressaríamos a casa quando eles regressassem também. No worries! 

Tinha comprado, logo no aeroporto, o Budapest Card, que para além dos transportes dá desconto numa série de museus e atrações, para além de incluir um guia e dois walking tour gratuitos. Acabou por não ser um grande investimento porque nos relaxámos um bocado e não aproveitámos nenhum dos walking tours. Shame on me!

Começámos pela Ópera de Budapeste, segundo os experts uma das mais bonitas da Europa, feita à imagem da Ópera de Viena. Nunca fui a Viena (e estupidamente não entrei na Scala de Milão), mas posso dizer que esta é muito bonita, em estilo neo-renascentista do séc. XIX (ter um amigo que é guia turístico tem destas coisas...).



Seguimos a Avenida Andrássy, uma das principais avenidas da capital húngara, cheia de lojas de luxo, cafés e restaurantes e... encontrámos estes senhores:

Sempre fui um bocado avesso a autocarros empacotados de turistas, com fones nos ouvidos, a ouvir uma qualquer narração enquanto o autocarro circula pela cidade. Gosto de planear as minhas viagens, decidir o que me interessa ou não, caminhar a pé e usar os transportes públicos. Porém, havia alguns factos a ter em conta: estavamos ambos cansados; ainda não recuperados da amigdalite; não tinha tido muito tempo para preparar a estadia em Budapeste.... não foi difícil o P convercer-me a comprar dois bilhetes por uns 14€ cada, e sentar o cú no segundo piso de um destes autocarros descapotáveis e deixar-me levar pela narração gravada em português com um sotaque que não consegui identificar, talvez húngaro.

Saímos e entrámos no autocarro diversas vezes. Passámos pela Praça dos Heróis,


a Estação Este, também do final do sec. XIX.

Depois de passarmos para o outro lado do Danúbio saímos em Buda, junto à Citadela e ao Monumento à Liberdade, na Colina de Gellért. Do topo desta colina tem-se uma das melhores vistas de Buda e de Peste, com o Danúbio pelo meio. Já agora, uma curiosidade: chama-se Colina de Gellért em honra do Bispo Gerard Gellért, propagador do cristianismo na Hungria. Houve quem não gostasse muito dele e uns quantos pagãos húngaros enfiaram-no num barril e toca de o mandar pela colina abaixo até ao rio.

A Citadela foi construída pelos Habsburgos,  depois da Revolução Húngara de 1848. Foi também palco da ocupação soviética quando em 1956 tanques soviéticos tomaram aqui posições para disparar contra a cidade.

Ao lado fica a Estátua da Liberdade, construída em 1947 em honra da libertação da Hungria das forças nazis durante a 2ª Guerra Mundial.

Depois apanhámos outro autocarro que estava a passar para o Castelo de Buda, onde funciona o Museu de História de Budapeste, o Museu Nacional Húngaro e a Galeria Nacional. De todos os lados as vistas são excelentes.


Ali perto chama também a atenção a Igreja de S. Matias e o Bastião dos Pescadores, que apesar do seu aspecto de estrutura defensiva nunca serviu esse propósito, tendo sido construído há apenas 100 anos, no local onde havia um mercado de pescadores.



Queríamos ir ao Hospital in the Rock, um bunker gigantesco que foi usado como hospital e quartel secreto durante a 2ª Guerra Mundial, mas só são permitidas visitas guiadas a horas definidas, pelo que teve de ficar para o dia seguinte.

Fizemos então o caminho a pé até ao rio, passando pela Igreja Protestante de Budapeste, construída em 1892...

Atravessámos a Ponte das Correntes a pé...

... e por uma rua bem gira acima...

... chegámos à Basílica de Santo Estêvão. 

Aqui estava o Gusztáv à nossa espera, depois de mais um dia de aulas e de um tour com turistas alemães durante a tarde. Ainda nos deu algumas explicações sobre a arquitetura da Igreja (vários arquitetos foram responsáveis durante os 50 anos da sua construção; o resultado foi tão bom que a abóbada colapsou e tiveram de construir tudo do início), e, mais interessante ainda, algumas curiosidades: São Estêvão foi o primeiro rei cristão da Hungria. Acreditava-se que a sua mão direita era incorruptível, por isso conserva-se mumificada dentro da basílica, e é possível vê-la. Creepy

Entretanto o Gusztáv tinha combinado jantarmos com uns amigos dele. Encontrámo-nos todos na Rua Nagymezö, uma espécie de Broadway de Budapeste com uma série de pequenos teatros e salas de espetáculos e restaurantes e cafés com muito bom ar, e fomos jantar ao Restaurante Eklektika, um restaurante lésbico. Foi a minha estreia em restaurantes lésbicos (ou melhor, foi a minha estreia em tudo o que é lésbico!). Apesar dos clientes serem maioritariamente mulheres, havia alguns homens também. Nós eramos seis: eu e o P, o Gusztáv e o Dezsö, e os dois amigos deles, namorados, que eram gays rastas (mais uma novidade!).


Depois do jantar fomos tomar café a um sítio que não sei descrever em português: um bookcafe. Na pratica é um café dentro de uma livraria, mas a zona do café deixou-me com o queixo no chão:





Vim a saber mais tarde que é um dos cafés mais bonitos do mundo, estilo Art Noveau (onde é que eu já ouvi isto?) com influência egípcia. Pareço um burro a olhar para um palácio!

Depois de deixarmos os amigos deles ainda fomos beber um copo ao Szimba Kert, e mais uma vez não queria acreditar. É provavelmente um dos sítios mais originais onde estive. Faz-me lembrar um pouco a Pensão Amor, aqui em Lisboa, mas muito maior e mais giro (vi agora que a Rotas&Destinos escolheu o Szimba Kert como o melhor bar de Budapeste). Por mim tinha lá ficado a noite toda (havia também pista de dança) mas o Dezsö tinha aulas e o Gusztáv trabalhava no dia seguinte.